Exercício "fecha" a diástase? O que quem pesquisa o tema já sabe
A equipe norueguesa de Kari Bø testou 12 semanas de abdominal em mães com diástase. A distância entre os músculos não mudou. A força, sim.

Revisado por Cláudia Heringer em 07/10/2026 · 3 min de leitura
Encolher a barriga, puxar o umbigo para dentro e segurar. Durante anos, foi esse o exercício indicado para "fechar" a diástase depois do parto, enquanto o abdominal com flexão de tronco ficava proibido. Quem pesquisa o assunto resolveu testar as duas ideias, e a lista virou de cabeça para baixo.
Boa parte desses estudos sai da Escola Norueguesa de Ciências do Esporte, em Oslo, onde Kari Bø e sua equipe acompanham mulheres desde a gravidez. Num trabalho que acompanhou 300 mães de primeira viagem até o bebê completar um ano, o afastamento entre os dois lados do reto abdominal aparecia em 60% delas seis semanas após o parto e em cerca de um terço no fim do primeiro ano [1].
O que os ensaios mostraram
Quando o grupo reuniu os ensaios clínicos sobre exercício para diástase no pós-parto (sete estudos, 381 mulheres), concluiu que a evidência para indicar qualquer programa específico é de qualidade muito baixa [2]. A revisão ainda cita medições em que, durante o movimento, contrair o transverso afastava as bordas do músculo, enquanto o abdominal as aproximava [2].
Faltava um teste longo. Sandra Gluppe, da mesma equipe, sorteou mulheres com diástase entre seis meses e um ano de pós-parto: metade fez em casa elevação de cabeça e abdominal reto e cruzado, cinco dias por semana, por 12 semanas; a outra metade não treinou. A distância não aumentou nem diminuiu. O músculo ganhou força e espessura, e escape de urina e dor lombar não pioraram [3].
E o hipopressivo? E a prancha?
No curso, hipopressivo e kinesiotape seguem a mesma regra: nenhum dos dois mostrou fechar o afastamento, então não entram no treino com essa promessa. O objetivo é devolver ao abdômen o trabalho dele, que é estabilizar tronco e pelve, conter os órgãos e ajudar na respiração.
Quem ajusta a progressão é a profissional. A gente começa pelo que estabiliza, como quatro apoios só respirando e prancha lateral de joelho, e avança quando ela segura a posição sem o abdômen estufar. A flexão de tronco entra aos poucos, soltando o ar na subida, com mais cautela no pós-parto recente, fase que o estudo norueguês não testou. Aquele cone que sobe no meio do abdômen é sinal para ajustar o exercício, não uma sentença.
Dor na linha do meio, uma saliência que incomoda ou um afastamento que preocupa pedem avaliação da fisioterapeuta pélvica e do médico. Para a diástase grave, o curso lembra que, até hoje, o tratamento que corrige o afastamento é a cirurgia.
Perguntas que a personal também faz
Diástase causa dor nas costas?
Os dados noruegueses dizem que não, ao menos na diástase leve, que foi quase a totalidade dos casos: um ano após o parto, mulheres com e sem diástase relataram a mesma dor lombar e na pelve [1]. Se a dor aparece, quem investiga é o médico ou a fisioterapeuta.
Quantos dedos de diástase é normal?
Não existe consenso. No estudo norueguês, contou como diástase um vão de dois dedos ou mais [1], mas cada pesquisa mede num ponto diferente. O curso ensina que o dedo varia de mão para mão e o ultrassom é mais preciso. Quem avalia é a fisioterapeuta ou a profissional.
Posso fazer abdominal na gravidez?
Com o obstetra de acordo, pode. O afastamento faz parte do crescimento do bebê e não é culpa do treino. O curso não trabalha com lista de abdominais proibidos: a profissional ajusta pela fase da gestação e pelo conforto, e espera passar se vier uma contração de treinamento.
Referências
- Sperstad JB, Tennfjord MK, Hilde G et al. (2016). Diastasis recti abdominis during pregnancy and 12 months after childbirth: prevalence, risk factors and report of lumbopelvic pain. British Journal of Sports Medicine. doi:10.1136/bjsports-2016-096065
- Gluppe S, Engh ME, Bø K (2021). What is the evidence for abdominal and pelvic floor muscle training to treat diastasis recti abdominis postpartum? A systematic review with meta-analysis. Brazilian Journal of Physical Therapy. doi:10.1016/j.bjpt.2021.06.006
- Gluppe SB, Ellström Engh M, Bø K (2023). Curl-up exercises improve abdominal muscle strength without worsening inter-recti distance in women with diastasis recti abdominis postpartum: a randomised controlled trial. Journal of Physiotherapy. doi:10.1016/j.jphys.2023.05.017
Como este artigo é feito. A pauta vem de dúvidas reais de profissionais. A redação tem apoio de inteligência artificial, a partir do conteúdo da Cláudia Heringer e de estudos científicos conferidos. Revisado e aprovado por ela antes de publicar.
